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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

ANA PRIMAVESI



"O segredo da vida é o solo, porque do solo dependem as plantas, a água, o clima e nossa vida. Tudo está interligado. Não existe ser humano sadio se o solo não for sadio e as plantas nutridas" (APrimavesi)

Hoje vou falar de uma pessoa incrível. Se você não a conhece, vale a pena conhecê-la ou assistir sua palestra, ou mesmo ler o que ela fala e acredita e sabe; você com certeza vai entender. Não perca a oportunidade, você está vivendo na mesma época que ela, vendo-a ali, uma das pessoas que fez e faz a diferença. Mesmo se você não for agronômo, vai se deliciar vê-la falando, discursando. É de uma sabedoria imensa, erudita, sábia, além de ter estudado muito teoria, lido um monte de livros, aprendeu muito na prática. Ensinou várias pessoas, desde as mais simples. Discursou em vários lugares, para vários tipos de pessoas, recebeu em seu sítio grupos, fez tudo o que estava no seu alcance para passar tudo o que aprendeu. Disseminou e plantou muitas sementes, que agora estão ai em cada um que a encontrou. O que nos resta agora é fazer a nossa parte, de mutiplicar. E acho que é isso que estou fazendo nesse momento, bem pouco, mas apresentando-a a quem não conhece. Talvez faça a diferença ou é mais uma coisa que você ficou sabendo na vida.
Então, essa pessoa especial, é a Drª Ana Primavesi, austriaca, que veio ao Brasil no fim da segunda guerra mundial, quando os soviéticos começaram a invadir parte do seu país e começaram a confiscar as areas rurais. Naturalizada brasileira, formada pela universidade Rural de Viena. PhD em Ciências Agronômicas e especialista em solos. Casou-se com um colega de profissão. Ela é  considerada uma das pioneiras da agroecologia e também uma grande defensora da agricultura orgânica das mais respeitadas. Suas palestras, em qualquer lugar, seja Europa, Asia, América Latina levam uma legião de pessoas a escutar, aprender com ela. Publicou vários artigos e livros.

É autora dos livros: "Manejo Ecológico do Solo" (R$164,00), "Agricultura Sustentável" (R$55,90), "Manejo Ecológico de Pastagens" (R$66,90),  "Agroecologia: Ecosfera, Tecnosfera e Agricultura" (R$50,00).Todos da editora Nobel.


"O ADUBO QUÍMICO É BASICAMENTE FORMADO POR TRÊS ELEMENTOS E A PLANTA NECESSITA DE 45"(APrimavesi)



"Para a agrônoma, a "revoluçao verde" não foi feita para produzir mais, ela foi feita para salvar a agricultura norte-americana do pós-guerra. “Eles falaram nessa ‘revolução’ porque queriam vender para a agricultura as máquinas e os produtos químicos que sobraram. Logo depois da guerra, a indústria norte-americana tinha estoques enormes de substâncias venenosas feitas para matar o inimigo. Eles usaram, por exemplo, o fósforo sobre a população civil e é uma coisa horrível. A pessoa que recebe fósforo pingado começa a se desidratar e diminui de tamanho, sentindo dores tão fortes que só pensa em se matar”.

Diante desses estoques sem utilidade, alguém lembrou que a agricultura não utilizava praticamente nada da indústria e começaram a convencer os agricultores a usar adubos, fertilizantes e agrotóxicos. “Então, eles venderam primeiro o sistema de como tratar o solo, divulgando a calagem e, na verdade, começaram a matar o solo, jogando a terra morta para cima, atingindo o solo vivo. E o que ainda sobrou de matéria orgânica eles mataram com nitrogênio, não conseguindo recompô-la. Como a terra não tinha mais nada, estava morta, compactada, começaram a lançar fertilizantes. Foi todo um pacote destinado à agricultura convencional para dar enormes lucros à indústria, embora não fosse necessário”." (texto retirado da revista Visão Socioambiental)






"PARA QUE SERVEM OS TRANSGÊNICOS? PARA MATAR AS PLANTAS INDICADORAS DAS CARÊNCIAS, EMPURANDO OS PROBLEMAS PARA A FRENTE,
SEM RESOLVÊ-LO"(APrimavesi)


Até o ano passado Ana Primavesi morava em um sitio situado em Itaí, na região de Avaré. Hoje seu sítio esta a venda, e ela, morando em São Paulo com sua filha. Seus  amigos se reunem para discutir a quem vender ou encontrar o melhor caminho para esse rico pedaço de terra.
Fiquei muito feliz em saber que este ano, ela, aos 92 anos de idade, foi a escolhida para ganhar o prêmio mais importante da agricultura orgânica no mundo, o One World Ward, dado pela IFOAM (International of Organic Agriculture Movements). Este prêmio é dado a cada dois anos desde 2008 para as pessoas da area orgânica. Ela foi a escolhida por dar um grande impulso aos movimentos agroecológicos na América Latina contribuindo para moldar um paradigma alternativo à agricultura industrial. No dia 14 de setembro, Ana Primavesi, esteve na Alemanha, na cidade de Legan para receber este prêmio.


Abaixo, deixo um link, enviado por Romeu, da Yamaguishi, para o grupo de emails do kensan. É uma reportagem que foi ao ar no programa "ReporterEco" da TV Cultura, no dia 02 de agosto de 2012.
 Link do programa:
www.m.cmais.com.br/programa/reportereco


“O problema está na penetração da água das chuvas no solo. Uma terra viva e protegida consegue infiltrar 400 milímetros de chuva por hora. A água vai para o nível freático e retorna como nascentes ou escoa subterraneamente para os rios. Mas com toda essa agricultura química, em que a terra fica dura, a água infiltra apenas sete milímetros por hora e o resto escorre, causando enchentes, erosões etc. As pessoas procuram resolver o problema sem olhar para o que o causou, fazendo curvas de nível, micro-bacias, represas, se esquecendo que de toda essa água represada 46 a 50% evapora. É praticamente nada o que eles captam”.(APrimavesi)

PARA SABER MAIS:
www.anaprimavesiana.blogspot.com 

sexta-feira, 22 de junho de 2012

FRANS KRAJCBERG

ONDE ESTÃO OS ARTISTAS E INTELECTUAIS
 PARA PROTESTAREM CONTRA ÀS BARBÁRIES DO SÉCULO XX? (Frans krajcberg)
                                                                                                                  

Frans Krajcberg é um artista plástico, fotográfo, escultor. Nascido na Polônia, naturalizado brasileiro; hoje com 91 anos. Lutou no exército contra a Alemanha nazista, estudou engenharia na Polônia, artes na Alemanha. Em Paris, seu amigo Marc Chagall o incentivou a morar no Brasil. Desembarcou no Rio de Janeiro com 27 anos. Em São Paulo trabalhou como operário no Museo de Arte Moderna. Foi auxiliar do pintor Alfredo Volpi.
Desde 1972 reside no seu sitio "Natura", no municipio de Nova Viçosa, litoral sul da Bahia, e  mora lá até hoje (2012).
Foi morar lá convidado pelo arquiteto Zanine Caldas com a ideologia de construirem na cidade uma escola livre de arte e arquitetura, e, fazer desse vilarejo ( na época Nova Viçosa tinha duas ruas) uma cidade intelectual. Projeto ao qual não deu certo. Mas ele acabou permanecendo lá.
O sítio possui uma área de 34 hectares de Mata Atlântica e em 2007 se transformou numa Reserva Particular de Proteção da Natuueza (RPPN). A casa onde mora foi construida num tronco de pequi de quase 3 metros de diâmetro à 12 metros do solo. Abaixo a foto da casa.


(imagem copiada do site www.caminhodeabrolhos.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/casa_arvorecópia.jpg)

Frans Krajcberb se engajou em muitas lutas pela natureza, sempre manifestando seus sentimentos com o seu trabalho, com suas falas. com suas fotos.  Um homem que faz de sua obra o seu grito, a sua denúncia.
Hoje estou postando sobre ele porque esta semana li uma reportagem que saiu neste último domingo no  estadão . Fiquei sabendo por meio deste jornal que, Curitiba, capital do Paraná, em 2003 recebeu do próprio artista várias de suas obras. Tive, em 2004 a oportunidade de vê-las. e não acreditei quando li que elas ficaram jogadas, esquecidas. Frans Krajcberg as quer de volta, e esse caso está na justiça. Tudo isso é tão inacreditável saber. E pensar que uma pessoa com a sua história, sua idade mereça estar passando por isso. Um fato horroroso que nos fere o coração.

Pesquisa foi baseada nos sites:
http://www.novavicosa.com.br/
http://www.planetasustentavel.abril.com.br/